Ficha em revisãoConteúdo científico de trabalho, pesquisado em 23/09/2026 e ainda não publicado oficialmente. Nada aqui deve ser citado como versão final.
O que falta revisar
  • Conferir a ficha corrente na Flora e Funga do Brasil e recuperar a distribuição por estados e domínios
  • Verificar avaliação CNCFlora nominal e lista legal vigente
  • Pesquisar fenologia específica de veredas do Cerrado
  • Selecionar relações fauna–buriti documentadas uma a uma
  • Detalhar a morfologia das flores masculinas e femininas
  • Documentar usos por região e parte da planta
  • Buscar fotografias licenciadas, incluindo plantas masculinas, femininas e a paisagem da vereda

Arecaceae  /  Arecales

Mauritia flexuosaL.f.

buriti

CEF-TAX-000004  ·  Ficha V1.0

O buriti é uma palmeira de ampla distribuição na América do Sul tropical e uma das espécies mais características das veredas do Cerrado, onde pode dominar a zona mais úmida. É dioica: há plantas masculinas e plantas femininas. Não é endêmica do Cerrado nem do Brasil.

Buriti, Mauritia flexuosa, com cachos de frutos
Fotografia real · Marciana Lopes · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons
Ilustração botânica preservada no detalhe circular.

01Identidade

Nome aceitoMauritia flexuosa L.f.A
FamíliaArecaceaeA
OrdemArecalesA
GêneroMauritiaA
Publicação originalSupplementum Plantarum: 454 (1782)A
Nome popular no BrasilburitiA
Sinônimos principaisMauritia vinifera Mart.; Mauritia minor Burret; Mauritia setigera Griseb. & H.Wendl.; Saguerus americanus H.Wendl. O Kew/POWO registra sete sinônimos no total.A
Típica não é exclusivaSer uma das espécies mais características das veredas não torna o buriti exclusivo delas, nem endêmico do Cerrado. O atlas distingue espécie emblemática de um ambiente, espécie exclusiva desse ambiente e espécie endêmica.

02Distribuição

O Kew/POWO registra distribuição nativa ampla, de Trinidad à América do Sul tropical. Esta ficha não fixa uma lista de estados brasileiros: a distribuição por estado e por domínio será conferida na Flora e Funga do Brasil, sem misturar a distribuição sul-americana com as ocorrências validadas no Cerrado. A

Países

Fonte: Kew/POWO

  • Bolívia
  • Brasil
  • Colômbia
  • Equador
  • Guiana Francesa
  • Guiana
  • Peru
  • Suriname
  • Trinidad e Tobago
  • Venezuela

Regiões do Brasil

Fonte: Kew/POWO

  • Norte
  • Nordeste
  • Sudeste
  • Centro-Oeste

03Veredas e ambientes úmidos

O Kew descreve o buriti como árvore de bioma tropical úmido. No Cerrado, é elemento marcante das veredas: comunidades de plantas de solos encharcados, frequentemente em cabeceiras, importantes para a água e a biodiversidade. Publicações de 2026 descrevem as veredas como áreas úmidas alimentadas por águas subterrâneas e dominadas pelo buriti, e mostram que a história dessas áreas ao longo de 20 mil anos variou por região, conforme o clima. Esses dados do passado ficam separados das ocorrências atuais. A

Ambientes documentados

  • Veredas
  • Ambientes sazonal ou permanentemente úmidos (pode formar agrupamentos densos)

04Plantas masculinas e femininas

O buriti é dioico: cada planta produz só um tipo de flor. Isso muda a leitura de vários dados, como floração, produção de frutos e algumas interações com a fauna, que podem depender do sexo da planta.

♂

Planta masculina

Produz flores estaminadas, com pólen. Não forma frutos.

♀

Planta feminina

Produz flores pistiladas, que formam os frutos.

A morfologia detalhada das flores masculinas e femininas ainda será documentada antes da publicação.

05Floração e frutos

O único estudo fenológico desta ficha é de restinga, no litoral do Maranhão. Ele não serve como calendário das veredas do Cerrado, que ainda precisam de dados próprios. Alocal

Mendes et al.Barreirinhas, MA (restinga)25 plantas de cada sexo acompanhadas mês a mês, de agosto de 2009 a outubro de 2012. Não houve diferença de padrão entre os sexos. A floração e a queda dos frutos ocorreram na estação seca; os autores ligam o estabelecimento das plântulas ao período chuvoso.
pendenteVeredas do CerradoFenologia específica de veredas ainda a pesquisar. Até lá, o atlas não publica um calendário do buriti para o Cerrado.

06Polinização

  1. Trabalhos anterioresBesourosBesouros foram sugeridos como prováveis polinizadores.
  2. Experimento de 2013, RoraimaVentoEm três tipos de habitat, os visitantes florais não atuaram como polinizadores efetivos. A exclusão experimental mostrou a importância do vento, identificado como principal vetor de pólen.

A hipótese antiga não é apagada: fica registrada com sua fonte, ao lado da evidência que a revisou.

Escopo: Roraima, três tipos de habitat. Fonte: Khorsand Rosa & Koptur, 2013. Alocal

07Conservação

A espécie e o ambiente onde ela vive têm situações diferentes. Uma espécie pode não ter categoria de ameaça elevada e, ainda assim, depender de um habitat sob pressão.

Mauritia flexuosa

Status nacional D

Não confirmado

Não foi encontrada uma avaliação CNCFlora nominal clara nesta rodada.

Predição de risco

Kew, 2024

“Not threatened”

É um modelo preditivo, não uma avaliação oficial. Fica registrado, mas não substitui a categoria nacional.

Veredas

Conservação do habitat A

Sob pressão

A literatura científica documenta ameaças e alterações nas veredas: mudanças no lençol freático, seca e perturbações humanas.

08Usos, fauna e comunidades

Usos registrados (Kew)Alimentação humana, alimentação animal, materiais, combustível, usos medicinais, usos ambientais e usos sociais.
Comunidades veredeirasPesquisa etnobotânica recente no norte de Minas Gerais descreve o buriti como espécie de grande importância ecológica e sociobiocultural para essas comunidades.
Frutos e faunaO Kew registra a espécie como recurso alimentar para animais. Consumir o fruto não faz de um animal um dispersor efetivo: cada relação será listada com sua própria evidência.

Usos medicinais aparecem como registro. O atlas não faz recomendações de saúde nem de manejo.

09Confiança dos dados

CampoNívelSituação
Nome aceitoAKew/POWO
AutoriaAconfirmada
FamíliaAconfirmada
SinonímiaAKew/POWO
Distribuição sul-americanaAKew
Endemismo do CerradoAnão endêmica
Associação com ambientes úmidosAmúltiplas fontes
Associação com veredasAliteratura científica
DioiciaAliteratura reprodutiva
Polinização pelo ventoAlocalexperimento em Roraima
Fenologia MaranhãoAlocalestudo de 2009 a 2012
Usos humanosA/BKew + literatura etnobotânica
Interações com faunaA/Bvalidar relação por relação
Conservação nacionalDnão confirmada nesta rodada
Pressão sobre veredasAliteratura científica

Entenda os níveis A, B, C e D na metodologia.

10Fontes

  1. Plants of the World Online. Royal Botanic Gardens, Kew. Mauritia flexuosa L.f.
  2. Khorsand Rosa, R.; Koptur, S. New findings on the pollination biology of Mauritia flexuosa: linking dioecy, wind, and habitat. American Journal of Botany 100(3):613–621, 2013. DOI
  3. Mendes, F. N.; Valente, R. M.; Rêgo, M. M. C.; Esposito, M. C. Reproductive phenology of Mauritia flexuosa in a coastal restinga environment in northeastern Brazil. Brazilian Journal of Biology 77(1). DOI
  4. Fagundes, N. C. A.; Ferreira, E. J. Veredas (Mauritia flexuosa palm swamps) in the southeast Brazilian savanna: floristic and structural peculiarities and conservation status, 2016.
  5. Revisão: Ecology, livelihoods, and management of the Mauritia flexuosa palm in South America. Global Ecology and Conservation.
  6. Historical dynamics of wetlands in the Brazilian savanna: response of Mauritia flexuosa swamps (veredas) to 20,000 years of climate variability. Annals of Botany, 2026.
  7. Literatura etnobotânica recente sobre comunidades veredeiras do norte de Minas Gerais.
  8. Flora e Funga do Brasil. Conferência taxonômica final pendente.

Pesquisa: 23/09/2026 · CEF-TAX-000004 · Ficha V1.0 · dados estruturados (JSON)