Ficha em revisãoConteúdo científico de trabalho, pesquisado em 23/09/2026 e ainda não publicado oficialmente. Nada aqui deve ser citado como versão final.
O que falta revisar
  • Pesquisar avaliação nacional nominal e conferir listas legais federais e estaduais
  • Verificar a polinização pelo vento em literatura reprodutiva adicional
  • Revisar a lista final de sinônimos
  • Conferir a distribuição atual na Flora e Funga do Brasil
  • Ampliar a galeria com fotografias licenciadas: roseta, escapo, capítulo em floração, escapo seco, sementes e campo úmido
  • Tratar fotografias do artesanato com licença e contexto cultural adequados

Eriocaulaceae  /  Poales

Syngonanthus nitens(Bong.) Ruhland

capim-dourado

CEF-TAX-000002  ·  Ficha V1.0

Conhecida como capim-dourado, é uma sempre-viva de campos úmidos. O dourado famoso está nos escapos secos usados no artesanato, e não nas flores. É nativa do Brasil, mas não endêmica: fontes taxonômicas indicam distribuição mais ampla na América do Sul tropical.

Fotografia real de Syngonanthus nitens, o capim-dourado
Fotografia real · Cícero R. C. Omena · CC BY 2.0 · Wikimedia Commons
Ilustração botânica preservada no detalhe circular.

01Identidade

Nome aceitoSyngonanthus nitens (Bong.) RuhlandA
FamíliaEriocaulaceaeA
OrdemPoalesA
GêneroSyngonanthusA
BasiônimoEriocaulon nitens Bong.A
Publicação da combinaçãoPflanzenreich IV.30 (Heft 13): 254, 1903A
Nome popularcapim-douradoA
Nome regionalsedinha, no uso dos escapos na Cadeia do EspinhaçoB
Sinônimos principaisDupatya nitens (Bong.) Kuntze; Paepalanthus nitens (Bong.) Kunth; Syngonanthus retrorsociliatus Silveira; Syngonanthus auripes Silveira. A sinonímia completa, extensa, fica preservada no banco.B
Morfotipos locaisEstudos no Jalapão documentam os morfotipos “douradinho” e “douradão”, diferenciados por caracteres morfológicos e anatômicos. Eles são registrados como morfotipos locais, não como táxons formais.

02Distribuição

Fontes taxonômicas internacionais atuais indicam distribuição mais ampla na América do Sul tropical. Por isso o capim-dourado não é tratado como endêmico do Cerrado nem do Brasil. Parte da literatura ecológica usa “endêmica do Brasil Central” em sentido regional; o atlas segue a fonte taxonômica e registra a divergência. A

estado com registro na fonte

Catálogo de Plantas e Fungos do Brasil (2010)

Escopo: espécie; ocorrências documentadas até 2010

Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, Piauí, Rondônia, Sergipe, São Paulo, Tocantins

Domínios fitogeográficos

Fonte: Catálogo de Plantas e Fungos do Brasil (2010)

  • Amazônia
  • Caatinga
  • Cerrado
  • Mata Atlântica

03Habitat e forma de vida

Herbácea perene, sempre-viva, com roseta basal de folhas. Tratamentos internacionais a descrevem como geófita ou rizomatosa. É policárpica e, no Jalapão, tem reprodução clonal documentada por gemas laterais; ali as rosetas medem em média cerca de 4 cm de diâmetro e costumam produzir poucos escapos por ano. A

Ambientes documentados

  • Campos úmidos
  • Áreas junto a veredas
  • Proximidades de matas de galeria inundáveis
  • Solos sujeitos a encharcamento
  • Áreas abertas e pantanosas (Serra da Mantiqueira)

04Flor, capítulo e escapo

As flores ficam reunidas em capítulos terminais, no alto de escapos florais que saem de uma roseta basal. As brácteas involucrais aparecem em séries, aumentando gradualmente de comprimento. Em tratamento taxonômico regional, as raízes são descritas como alaranjadas e esponjosas.

Escapo secodourado
literatura sobre o artesanato do Jalapão A

A busca por cor do atlas usa a estrutura da planta. Assim, o capim-dourado não aparece como “flor dourada”.

Capítuloonde ficam as flores Escapo secoo “dourado” do artesanato Roseta basalfolhas junto ao solo

O que é dourado?

O brilho que deu nome à planta está nos escapos secos, as hastes que sustentam os capítulos. São eles a matéria-prima do artesanato. A cor da flor em si não entra nesta ficha como “dourada”.

05Ciclo reprodutivo

O ciclo muda de região para região. No Jalapão ele está bem descrito do escapo à dispersão; em Minas Gerais, os estudos mostram outros ritmos. Alocal / C nacional

Eventos por local e estudo
Local e fontejanfevmarabrmaijunjulagosetoutnovdez
Jalapão, TOestudos no Jalapãocrescimento dos escaposcrescimento dos escaposfloraçãosementessementesdispersãodispersãofloração a partir de julho; sementes do fim de agosto a setembro; dispersão do fim de outubro a novembro
Presidente Kubitschek, MGestudo recente em comunidade quilombolafloraçãofloraçãopico de floraçãoaumento de inflorescências de junho a agosto, com pico em agosto
Serra da Canastra, MGFlora de Eriocaulaceae da Serra da Canastramaior frequência de registrosmaior frequência de registrosmaior frequência de registrosmaior frequência de registrosmaior frequência de registrosmaior frequência de registrosregistros reprodutivosregistros reprodutivosregistros reprodutivosregistros reprodutivosregistros reprodutivosregistros reprodutivosmaterial reprodutivo coletado o ano todo, mais no primeiro semestre
registros reprodutivosmaior frequência de registroscrescimento dos escapossementesdispersãofloraçãopico de floraçãoestação seca (aprox.)

06Polinização

PolinizaçãoVentoUma publicação experimental descreve polinização pelo vento nas populações estudadas. O dado ainda será conferido em literatura reprodutiva adicional.
SementesPequenas e estriadasNo Jalapão, as sementes são pequenas, marrons e estriadas no sentido do comprimento. A literatura destaca a reprodução por sementes para o recrutamento das populações.
Reprodução clonalGemas lateraisAlém das sementes, há reprodução clonal documentada por gemas laterais nas populações estudadas.

Escopo: populações estudadas, principalmente no Jalapão. Fonte: Schmidt et al.; literatura experimental. B

07Fogo e manejo

O fogo faz parte do manejo tradicional dos campos úmidos com capim-dourado no Jalapão. Aqui, cada tipo de conhecimento aparece separado.

Conhecimento tradicional

Comunidades locais usam queimadas periódicas e relacionam o fogo à floração.

Prática de manejo

O fogo integra o manejo tradicional dos campos úmidos no Jalapão. Fica registrado como prática, sem virar recomendação: o atlas não indica quando nem como queimar.

Evidência experimental

Um estudo sobre altas temperaturas e sementes distingue explicitamente o conhecimento tradicional do efeito demonstrado em experimento.

O atlas não afirma que “o fogo faz o capim-dourado florescer” como regra universal. Cada registro traz o tipo de conhecimento, o lugar e o regime de fogo.

08Conservação

Nesta rodada não foi encontrada uma avaliação nacional nominal clara. Ausência de avaliação não significa “não ameaçada”.

Syngonanthus nitens

Status nacional D

Não confirmado

Antes da publicação: pesquisar avaliação nacional nominal, conferir listas legais federais e estaduais e manter avaliação científica separada de proteção legal.

09Artesanato e extrativismo

Uso culturalOs escapos são a matéria-prima do artesanato de capim-dourado, especialmente conhecido no Jalapão.
Evidência experimentalSchmidt, Figueiredo & Scariot (2007): a colheita em meados de outubro, com sementes maduras, não teve efeitos consistentes após um ano sobre densidade, sobrevivência ou reprodução. Os autores ligam a sustentabilidade à maturação das sementes e à forma de retirada.

Um resultado experimental local não é autorização geral de manejo. Legislação vigente e recomendação oficial são registros à parte.

10Confiança dos dados

CampoNívelSituação
Nome aceitoAFlora e Funga + IPNI/POWO
AutoriaAconfirmada
FamíliaAconfirmada
BasiônimoAIPNI
SinonímiaA/Bextensa; revisar lista final
Nome capim-douradoAamplamente documentado
Distribuição amplaAtaxonomia + flora regional
Endemismo brasileiroAnão endêmica segundo fontes taxonômicas
Habitat úmidoAvários estudos
Fenologia JalapãoAlocalestudos específicos
Fenologia nacionalCnão generalizar
Morfotipos artesanaisAlocalestudo anatômico
Relação com fogoBseparar tradição e experimento
Efeitos da colheitaAlocalexperimento publicado
Conservação nacionalDnão confirmada nesta rodada

Entenda os níveis A, B, C e D na metodologia.

11Fontes

  1. Flora e Funga do Brasil. JBRJ, consulta taxonômica de Syngonanthus.
  2. IPNI. Syngonanthus nitens (Bong.) Ruhland e basiônimo Eriocaulon nitens Bong.
  3. Plants of the World Online. Kew Science.
  4. Catálogo de Plantas e Fungos do Brasil. JBRJ.
  5. Schmidt, I. B.; Figueiredo, I. B.; Scariot, A. Ethnobotany and effects of harvesting on the population ecology of Syngonanthus nitens. Economic Botany 61:73–85, 2007.
  6. Schmidt et al. Produção e germinação de sementes de “capim dourado”: implicações para o manejo. Acta Botanica Brasilica.
  7. Estudo experimental sobre altas temperaturas e germinação de sementes de capim-dourado. Acta Botanica Brasilica.
  8. Watanabe, M. T. C. Análise morfométrica e variabilidade morfológica em populações de S. nitens. USP, 2009.
  9. Ecological anatomy of Syngonanthus nitens and its relation to golden grass handicrafts in Jalapão. Journal of the Torrey Botanical Society, 2016.
  10. Flora de Eriocaulaceae da Serra da Canastra. Publicação taxonômica recente.
  11. Estudo recente sobre condições ambientais e clima em S. nitens, com observações fenológicas em Minas Gerais.

Pesquisa: 23/09/2026 · CEF-TAX-000002 · Ficha V1.0 · dados estruturados (JSON)